


O dia começou com um fantástico pequeno-almoço no nosso “bed & breakfast”, cozinhado com carinho pela nossa simpática anfitriã.

Iremos ter um dia longo de condução, nos quase 250 quilómetros que nos separam do destino de hoje, e quase sempre em estrada de montanha.
Uma parte importante do caminho foi feito na estrada de ontem, quase até à gruta de Areni-1. No cruzamento para a nova estrada, que nos iria levar até ao Lago Sevan, uma jovem pedia boleia. Nem pensamos! Paramos e já está! Belga, com o curso terminado em maio deste ano, está a viajar sozinha por 5 meses antes de começar a sua futura vida profissional. Inteligente!

Entrámos de novo numa longa subida, a caminho do passo Vardenyats, a 2.400 metros de altitude, e do antigo Orbelian Caravanserai, uma estação de apoio às caravanas que atravessavam as montanhas, certamente ligadas à antiga Rota da Seda. Construído em 1332, era uma estalagem fortificada para caravanas, oferecendo para além da segurança, abrigo a pessoas e animais. Junto à entrada encontram-se inscrições em arménio, persa e árabe, testemunhando o carácter multicultural destas antigas rotas comerciais.

E uma inscrição arménia de 1332 deixa ainda uma mensagem aos viajantes: que se lembrem nas suas orações daqueles que mandaram construir este abrigo. Na fachada existem dois relevos particularmente curiosos: um animal alado e um touro, provavelmente ligados à família que construiu este caravanserai. A vista daqui para as montanhas é simplesmente maravilhosa!
A nossa companheira temporária ficou muito agradada com as nossas explicações, porque não sabia o que era um caravanserai.

De regresso às curvas, até à próxima localidade, onde deixámos a simpática belga. Nós continuamos até ao Lago Sevan, e já nas suas margens, paramos no cemitério de Noratus, um local muito antigo, que se pensa estar a ser utilizado continuamente desde o século IX, até aos dias de hoje. É onde está o maior conjunto de khachkars do mundo, com cerca de 1.000.

Os khachkars são estelas de pedra esculpidas, normalmente com uma cruz no centro, rodeada por motivos geométricos, vegetais, uvas, folhas e outros elementos. Eram sobretudo colocados junto aos túmulos e não há duas iguais. Uma pequena capela, do ano de 1211, pede aos visitantes que se lembrem nas suas orações, de todos os que ali foram sepultados. Diz a lenda, que em tempos remotos, perante a aproximação do exército de Tamerlão, os habitantes terão colocado capacetes e espadas sobre os khachkars para os fazer parecer soldados, o que terá feito recuar o invasor.

Antes de fazermos check-in no alojamento ainda visitámos o Mosteiro de Hayravank, situado numa colina rochosa, com uma vista privilegiada para o Lago Sevan. Existe desde o século IX e tem também uma lenda associada ao mongol Tamerlão. Terá sido construído no local onde teria existido uma fortificação da idade do bronze, pelos estudos arqueológicos efetuados.

Quanto à lenda, o abade do mosteiro, usou um pedaço da relíquia da Verdadeira Cruz para transformar milhares de refugiados arménios em pombos, permitindo que voassem para longe e escapassem ao massacre. Daí o outro nome por que é conhecido, Mosteiro dos Pombos Humanos. Havia velas. O prometido é para cumprir. Três foram acesas!

Antes do alojamento no Art Hotel Sevan, ainda fomos espreitar algumas praias do lago. Numa delas decorriam as gravações para o masterchef júnior. E o dia de viagem terminou, com a descoberta das praias junto ao hotel. A água é fria! Mas os banhistas lá ficam de molho por longos períodos, quase parecendo estar numa praia tropical. Amanhã talvez haja mergulho, até porque a maior parte do dia vai ser relaxar na praia.
Os gatos residentes iam-se aproximando para se deliciarem com os snacks que levámos. Os bebés são deliciosos. Na praia, já quase deserta, uma simpática cadela vem ter connosco. Com surpresa aparece um filhote, uma bola de pelo fofo, e a visita foi muito mais prolongada, com aquela doçura.
Amanhã é uma visita rápida à outra margem, e relaxar na praia.

Dia 11 Arménia
O pequeno-almoço neste hotel começa tarde. Só a partir das 09H00. Assim, aproveitámos para ir à praia descobrir a cadela de ontem. Assobiei. E de repente fez-se magia. Aparece a cadela e mais 8 bolas de pelo! Uau! Que maravilha! Bela forma de começar o dia, arrebanhando todos eles. Depois de mamarem, foi a vez de a mãe se deliciar com os snacks que tínhamos trazido. Bem que precisa de energia, a alimentar 8 famintos.
O dia de hoje era mesmo no relax, sem nenhum tipo de horários. A manhã estava com uma luz linda e aproveitámos para ir à outra margem, visitar 2 ou 3 locais que estavam na nossa lista.

O primeiro seria o Mosteiro de Sevan. Fundado em 874, ficava originalmente numa ilha. Durante o período soviético, projetos de desvios de água, fizeram baixar o nível da água em 20 metros, deixando de existir a ilha e ficando uma península. Do mosteiro a vista sobre o lago é magnífica. E a luz do dia, fez magia com a paisagem, quase que refletindo as montanhas nas suas águas.

Segundo ponto seria a Casa dos Artistas, um interessante projeto arquitetónico da era soviética. Neste período, esta casa foi criada para proporcionar períodos de trabalho e descanso a artistas, que assim poderiam ou descansar da cidade ou trabalhar num livro ou numa pintura. Servia também de ponto de encontro entre artistas de diversas artes e intelectuais.

Tudo subvencionado pelo Estado. Mas nem tudo era bom. Esta era uma forma de supervisão ideológica. O Estado financiava e institucionalizava a vida artística, dando aos criadores condições que seriam difíceis de obter individualmente. Em troca, a produção cultural estava inserida num sistema oficial, com exposições, encomendas públicas, organizações profissionais e critérios ideológicos.

A arquitetura do edifício é fabulosa, parecendo que dialoga com o lago. A frente é toda envidraçada e curva, para se ter uma panorâmica contínua do lago. O efeito visual é quase como se o edifício flutue sobre a paisagem.
Faltava apenas ver algo que nos despertou a atenção quando passámos, e que não percebemos o que era. Afinal era um miradouro em forma de cauda de peixe, monumento da era soviética.

Terminadas as visitas, regresso ao hotel, para uma relaxante tarde de leitura e banhos. Os banhos não foram muitos. O primeiro mergulho custou, mas depois até que se aguenta bem o frio da água. O segundo e último já foi bem mais tranquilo. Não esquecer que este lago está a 1.900 metros de altitude.

Ao final da tarde, grande festa aconteceu no hotel, com um grupo de jovens que ali esteve desde a manhã. Não percebemos quem eram, qual o objetivo do encontro, mas o final foi muito interessante, junto à praia, com todos os jovens a dançar músicas tradicionais, algo que aqui se faz muito, com pessoas de todas as idades. Um senhor já mais velho fartou-se de cantar e puxar pelos miúdos, mas a parte da voz… há melhor!
O pôr-do-sol foi também uma agradável surpresa, criando uma misteriosa e relaxante atmosfera no lago.

Amanhã a viagem é curta, apenas até Dilijan.









