Diário de Bordo – Qatar | Dia 2







A manhã começou lindamente, com um pequeno-almoço numa tasca paquistanesa, com 2 funcionários muito simpáticos e prestáveis, que nos prepararam um pão fresquíssimo, com ovo mexido e um chá de hortelã. Para amanhã já ficou combinado um petisco de falafel.

A manhã estava reservada para explorar o Mina District, o antigo porto comercial de Doha, e hoje totalmente transformado num bairro turístico e cultural, combinando arquitetura colorida, com os seus edifícios baixos pintados em tons pastel, cafés, mercados e vistas deslumbrante para o mar.

Impossível não destacar o mercado de peixe, de visita imperdível. É de uma beleza, que nem se acredita estar num mercado. As bancas são lindas, muito bem organizadas, e o teto é daqueles que quando se entra apenas se consegue dizer… UAU! Um dos espaços para se conhecer o lado mais tradicional da cidade. Todos os dias os pescadores vendem peixe e mariscos frescos. Podemos comprar em baixo no mercado e levar até ao primeiro andar, onde restaurantes preparam o que adquirimos. Se vivermos na cidade, há funcionários que arranjam o peixe e o marisco da forma que quisermos, para se levar para casa.

Num dos extremos do Mina District há o terminal de cruzeiros, com um aquário de visita gratuita. A arquitetura do edifício é muito interessante e moderna, mas o aquário é fraco, não merecendo a visita, pela distância que se tem de percorrer.

Visitem a zona dos contentores marítimos coloridos, pintados com cores vivas, criando um ambiente moderno e artístico. São pequenos espaços que hoje funcionam como lojas, cafés, galerias de arte. Criam ruas muito fotogênicas, num dos locais instagramaveis da cidade.

A seguir, a visita, imperdível a quem for ao Qatar, ao Museu Nacional, uns dois maiores símbolos culturais do país, e um impressionante exemplo de arquitetura contemporânea. O edifício foi projetado pelo arquiteto francês, Jean Nouvel, e foi inspirado na “rosa do deserto”, um mineral típico das regiões áridas do país.

O museu tem uma coleção muito interessante de objetos históricos e culturais, que contam a história do Qatar desde a pré-história aos tempos modernos, passando por artefatos arqueológicos, objetos da tradição de mergulho de pérolas, cultura beduína, entre outras coleções.

O almoço foi num restaurante nas imediações do Museu e que se chama exatamente restaurante Museu. Comida simples, mas deliciosa. Aberto 24 horas. A sopa picante é de comer duas malgas! Tive de ir dar os parabéns ao cozinheiro, paquistanês, que muito estranhou este gesto, deixando todos os outros funcionários com ar de espanto. Infelizmente, nunca lhe devem ter dado os parabéns pelo excelente trabalho que faz. Quem vier ao Qatar, não deixem de vir aqui, porque merece mesmo a pena.

Forças retemperadas, e continuamos o caminho para um dos principais centros culturais de Doha, a Katara Cultural Village, um espaço recente, projetado para promover a arte, cultura e entretenimento, onde se combina arquitetura tradicional árabe, com modernas instalações.

Começamos logo por ver a loja de brinquedos Rondvill, muito exclusiva e de luxo, cujo edifício é um gigante presente, ladeado por 2 enormes transformers. Incrível!

Todo o complexo está excelentemente bem cuidado, e encontramos, para além de lojas exclusivas e de luxo, galerias de arte, museus, um enorme anfiteatro de estilo romano. Nas ruas pedonais, junto às Galerias Lafayete, descobrimos um bocadinho de Portugal, com uma larga avenida feita de calçada portuguesa, ou pelo menos, inspirada nela. Padrões muito semelhantes aos que existem na Avenida da Liberdade, feitos com pedra preta, numa base de pedra branca.

Para quem gostar de relaxar, e fugir ao rebuliço das compras, as colinas de Katara, têm uns enormes jardins, onde se pode tranquilamente passear, ou apenas descansar, nos longos e relaxantes relvados.

A noite caia rapidamente, pelo que fomos o mais rápido possível para a zona de Lusail Marina District, para fotografar as icónicas Katara Towers, que iluminadas, são absolutamente maravilhosas e uma obra-prima da arquitetura moderna. Com muita sorte nossa, o vento estava muito fraco, a água do lago em frente às torres não se mexia, pelo que se conseguiu fotografar as torres em espelho. Mais 5 minutos e tal já não teria sido possível, pela brisa que se levantou.

Fomos também ao Centro Comercial Place Vendôme, inspirado na famosa Place Vendôme de Paris. Edifício de arquitetura clássica adaptada ao contexto do Qatar. Tem um tamanho impressionante, com 1,15 milhões de m² de área total, com quase 600 lojas. Tem um canal interior, onde gôndolas elétricas passeiam os clientes. No largo de restauração, vários espetáculos diários de águas dançantes, que saem de fontes lindamente decoradas, em jogos de movimentos, luz e música.

Para terminar o dia, fomos à zona das Torres Lusail, que encimam a Lusail Boulevard, uma avenida enorme, vigiada por um igualmente gigante tubarão, e que foi construída para dar acesso a um dos estádios do Mundial de Futebol, em 2022.

Para o fim deixámos as 4 torres Lusail, que encimam a Lusail Boulevard, uma avenida gigante, vigiada por um igualmente gigante tubarão, e que foi construída para dar acesso a um dos estádios do Mundial de Futebol em 2022, onde, para além de outros jogos, aconteceu a final. Ao longo de toda a avenida, dezenas de prédios novos compõem o ambiente. Na estrada, ultimam-se as obras para montar um elétrico que subirá e descerá a rua.

Muitos dos negócios estão fechados, e dá a sensação de que só foram abertos para o período do Mundial de Futebol. Não é zona com muito movimento de peões. Muitas das casas não parecem habitadas. Um investimento que talvez não tenha resultado como se esperaria.

No regresso ao hotel, aproveitamos a viagem, para tentar perceber como os transportes públicos são cobrados. Supostamente cada viagem custa 2 QAR, mas utilizamos o saldo, consumidos valor, mas de repente surge mais dinheiro no cartão. Haveremos de entender. Verificámos também que sextas-feiras de manhã, dia sagrado para o Islão, nada funciona. Nem o metro! À sexta-feira só abre às 14H00. Com voo nesse dia, teremos de arranjar transporte alternativo.

Amanhã o dia será mais tranquilo. Hoje foi uma overdose de arquitetura, luz e cor.

  • Diário de Odivelas - Redação

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