Diário de Bordo |  Istanbul, o lado asiático – | Dias 5 e 6






Dia 5 – Istambul – lado asiático

A manhã surgiu numa versão muito “região oeste de Portugal”, ou seja, com  bastante nevoeiro.

Hoje é domingo de Páscoa, e o grande evento do dia, nesta parte da cidade, é o jogo de futebol entre o Fernebache e o Besiktas, eternos rivais desportivos.

Assim que saímos do hotel, começamos a ver pessoas identificadas com símbolos  alusivos ao clube Fernebache. Camisolas, cachecóis, chapéus, equipamentos completos! O dia prometia!

Aos poucos, o nevoeiro matinal foi levantando, dando lugar a um lindo dia de sol e a um bonito céu azul. Sendo Páscoa, tentámos visitar algumas igrejas, que possivelmente estariam hoje abertas. Na realidade estavam. Visitámos a Igreja Arménia e a Igreja Ortodoxa Grega. Em ambas, a polícia sempre presente à porta, controlando quem entrava. A Turquia, apesar de 99% da população professar a fé islâmica, é um país laico. Contudo, nos últimos anos, o denominado Estado Islâmico, conseguiu realizar na Turquia alguns atentados terroristas, contra minorias religiosas, pelo que ainda se sente alguma tensão e preocupação em locais religiosos não muçulmanos. Daí a presença sempre atenta das forças policiais.

Aproveitando a excelente luz que o sol emanava, fomos visitar uma zona de Kadikoy, o bairro Yeldeğirmeni, uma autêntica galeria a céu aberto, graças ao festival Mural Istanbul, que aqui decorreu em 2012. As fachadas dos prédios estão cobertas por gigantes murais, feitos por artistas estrangeiros e locais. Um local a não perder, para os amantes da street art.

Finalmente, nesta zona, conseguimos descobrir uma loja que vendia os tradicionais copos de chá, com o conjunto do pires, e aumentámos, assim, a nossa capacidade caseira para convidar os amigos para um chá, num ambiente “praticamente” turco. Para quem gosta também de lojas alternativas e de design, é um bairro muito interessante para se visitar.

O almoço de hoje foi o verdadeiro kekab turco, acompanhado pela famosa bebida de iogurte salgado. Na Turquia temos de ser turcos!

Desta zona, passámos para o bairro de Moda, onde as ruas estavam já apinhadas de apoiantes do clube local, como já sabem, o Fernebache. Decidimos então fazer o percurso pela marginal, que nos iria levar até às imediações do estádio. Quanto mais nos aproximávamos, maior a densidade dos apoiantes. Num grande parque, já muito perto do estádio, a loucura das claques já se fazia sentir. E o jogo só seria dali a 8 horas! Pequenos grupos de adeptos, entoavam cânticos de apoio, enquanto “picavam” petiscos locais e muito álcool.

Na principal praça do parque, aí sim, era a sério, com a claque organizada do clube. Em pé, num banco de jardim, um senhor já de certa idade, de cabelo grisalho e rabo-de-cavalo, iniciava cânticos de apoio, que rapidamente as centenas de apoiantes repetiam, num frenesim de gritos, pulos, e imenso fumo de tochas. A malta dos tambores e bombos já transpirava abundantemente. Iriam resistir até à hora do jogo, que ainda estava tão longe?

Decidimos regressar para Kadikoy, seguindo um canal, que serve de atracagem de barcos de recreio, e que liga com um outro, que vai até ao terminal dos ferrys que atravessam o Bósforo, ligando as duas margens da cidade.

Já com alguns quilómetros nas pernas, optámos por descansar um pouco no elétrico histórico, o Kadıköy–Moda Nostalji Tramvayı, que faz um percurso circular pelos bairros de Moda e Kadikoy. Estes elétricos fazem parte do património histórico da cidade. O percurso é rápido e para descansamos um pouco mais, demos duas voltas. Não serão mais de 3 quilómetros por percurso, que duram cerca de 15 minutos a percorrer.

Com tanto esforço que já fizemos hoje, precisávamos de energia, pelo que fomos lanchar uma deliciosa baclava, daquelas “grandolas”, mesmo muito peganhentas e cheias de pistacho. Já merecíamos! Claro está, devidamente acompanhada de um belo chá turco.

Mesmo ali ao lado, o pequeno souk do bairro, onde as imitações de marcas internacionais são o ex-libris das lojas. Malas, óculos, relógios, roupa e calçado de quase todas as marcas que estão na berra, são avidamente apresentadas pelos vendedores, às portas das suas lojas.

A tarde já ia longa e fomos ver o por-do-sol junto aos ferrys, onde um jovem músico de rua cantava baladas turcas, fazendo as delícias das adolescentes que por ali passeavam.

A noite terminou no Antika Café, para o último chá, num local com uma decoração muito interessante, como o seu nome indica.

Dia 6 – Istanbul, o lado asiático

Último dia de mais uma viagem a um destino que nos é muito querido.

A manhã surgiu lindíssima, com um sol absolutamente radioso. Últimas voltas por Kadikoy, a descobrir alguns detalhes  ainda não fotografados, e fomos fazer as despedidas ao gato Portakal, que encontrámos na sua zona, a aproveitar os belos raios de sol, tão apreciados pelos felinos. A manhã estava quente, e tomámos um refrescante sumo de romã e laranja, numa das diversas bancas que vendem esta bebida, tão tradicional em Istanbul.

Hora de ir para o aeroporto. Optámos pelos autocarros da AHVAST. O bilhete compra-se no autocarro e pode-se pagar em cartão de débito/crédito ou com o Istanbul Card. A viagem para o İstanbul Havalimanı Airport, demora uma hora e pouco.

Depois de várias visitas a Istambul, sempre centradas na sua margem europeia, esta viagem levou-nos finalmente a descobrir profundamente a margem asiática da cidade. E foi uma verdadeira revelação! Entre as ruas cheias de vida de Kadıköy, os murais de Yeldeğirmeni, os cafés de Moda e o ritmo mais descontraído do quotidiano local, encontrámos uma Istambul diferente daquela que julgávamos conhecer. Menos monumental, talvez, mas mais próxima, autêntica e vivida. Atravessar o Bósforo, acabou por ser muito mais do que uma simples travessia geográfica: foi uma nova forma de olhar para a cidade. E, quando pensávamos que Istambul já tinha pouco para nos surpreender, a sua margem asiática mostrou-nos precisamente o contrário. Foi, sem dúvida, uma surpresa, onde voltaremos certamente, porque ainda há algo mais por descobrir. Até já Istanbul!

 

  • Diário de Odivelas - Redação

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