
A parentalidade acontece, muitas vezes, no meio da pressa entre o “despacha-te”, “já te disse que não” ou o “vamos chegar atrasados outra vez”. De manhã é a roupa que não querem vestir, ao fim do dia é o banho que ninguém quer tomar, ao jantar surgem negociações e, quando chega a hora de dormir, surge ainda mais uma história, mais um copo de água ou mais uma tentativa para prolongar aquele momento. No meio destes momentos tão comuns, muitos pais questionam se estão a ser firmes o suficiente ou se estarão a colocar limites da forma certa.
Os limites são importantes. Dão estrutura, previsibilidade e segurança, como também ajudam a criança a perceber o que pode esperar do adulto e o que se espera dela. Mas, do ponto de vista psicológico, existe uma dimensão igualmente importante: o afeto.
Enquanto psicóloga, encontro muitas vezes pais preocupados em não ceder, em não perder autoridade ou em não deixar passar determinados comportamentos. São preocupações legítimas, no entanto, uma criança pode ouvir um “não” e, ao mesmo tempo, sentir-se compreendida.
Imagine que chegou a hora de sair do parque e a criança começa a chorar porque queria ficar mais tempo. É possível manter o limite e dizer: “Eu sei que querias continuar a brincar e percebo que estejas triste, mas agora temos mesmo de ir”. A regra não mudou e o adulto não cedeu, o que mudou foi a forma como a criança foi acompanhada naquele momento.
Dar afeto não significa dizer sempre “sim”, evitar todas as frustrações ou retirar limites. Significa mostrar à criança que, mesmo quando não pode ter aquilo que quer, continua a encontrar no adulto uma presença segura. É precisamente nesta combinação entre a firmeza e a proximidade que a criança vai aprendendo a lidar com a frustração, a reconhecer emoções e, progressivamente, a regulá-las. Educar não é escolher entre autoridade e afeto. É conseguir orientar sem afastar, corrigir sem envergonhar e dizer “não” sem retirar a relação.
Os limites mostram à criança por onde pode caminhar, enquanto que, o afeto dá-lhe a segurança para fazer esse caminho
Catarina Campos
Psicóloga Clínica – Trilhos do Coração






