
Último dia na ilha, e totalmente dedicado a Larnaca, uma das cidades mais antigas e importantes do Chipre, situada na costa sudeste da ilha. Construída sobre a antiga cidade de Kition, combina um rico património histórico e religioso com uma agradável frente marítima.

Começamos por visitar a Igreja de São Lázaro, um dos monumentos religiosos mais importantes e emblemáticos do Chipre. Construída no século IX, foi erguida, sobre o túmulo de Lázaro de Betânia, que, depois de ter sido ressuscitado por Jesus, terá vivido na ilha e sido bispo de Kition, a antiga Larnaca. O interior da igreja, marcado pela pedra, pelos ícones e pelo magnífico iconóstase, transmite uma atmosfera de grande espiritualidade e constitui um importante testemunho da tradição cristã da ilha.

Fomos de seguida ao Lago Salgado, situado junto à cidade, e uma importante zona natural protegida. A sua aparência muda ao longo do ano: no inverno enche-se de água e recebe numerosas aves migratórias, sobretudo flamingos, enquanto no verão a água evapora, deixando uma camada branca de sal à superfície, criando uma superfície algo fantasmagórica, quase lunar.


Nas suas margens encontra-se a mesquita Hala Sultan Tekke, um dos mais importantes locais de peregrinação muçulmana do Chipre. O complexo religioso está associado a Umm Haram, uma mulher próxima do profeta Maomé, que, segundo a tradição, morreu neste local durante uma expedição árabe ao Chipre, no século VII. A mesquita é rodeada por palmeiras e refletida nas águas do lago, criando um ambiente de beleza e serenidade da paisagem envolvente. Fomos recebidos por 10 deliciosos gatos bebés, todos muito afáveis, mas o tempo começava a apertar para o voo de regresso, e, com pena, não aproveitámos mais estes pequenos felinos, ansiosos por festas e brincadeiras.

A cidade tem apontamentos de arte urbana, muito interessantes. Fomos parando de carro, quando possível, para apreciar algumas obras.

O último almoço na ilha, teria de ser um kebab em pão pita, para uma despedida em grande. Parámos num “tasco”, e estava bom. Mas pelo preço que nos pediram, devemos ter deixado uma grade de minis paga, aos 4 velhotes sentados ao balcão que iam conversando com o dono e sorrindo muito para nós. “KALISPERA amigos!” Antes do aeroporto, abastecer e lavar a viatura. E terminou!

Em resumo, a nossa viagem pelo Chipre, foi uma viagem pela história, em que o país é riquíssimo, e que se encontra nas pedras de Kourion, nos mosaicos das antigas casas romanas, nas igrejas e mosteiros, nas muralhas de velhas cidades e nas muitas lendas que atravessaram os séculos.
Por este território passaram gregos, romanos, bizantinos, cruzados, venezianos, otomanos e britânicos, deixando marcas que ainda hoje ajudam a contar a identidade complexa desta pequena ilha do Mediterrâneo. Identidade ainda com muitas situações por definir, como nos conta a cidade abandonada de Famagusta e a linha que continua a dividir a ilha, num doloroso passado recente.
A viagem que fizemos ao Chipre, foi muito mais do que visitar um novo destino. Foi percorrer, em poucos dias, milhares de anos de História e perceber que, apesar de todas as fronteiras que os homens desenham, a memória de um povo não se divide tão facilmente. E talvez viajar seja também isto: chegar a um lugar desconhecido, escutar as histórias que ele tem para contar e regressar levando connosco um pouco da sua memória.









