Diário de Bordo – Rhodes últimos dias

Dia 3

O primeiro dia do ano despertou com frio e muito vento. O destino de hoje é a ponta sul da ilha, percorrendo uma estrada cénica, que percorre a ilha junto ao mar. Hoje, o mar está com muitas vagas, o chamado mar de vento. Por sorte, as praias desta zona, completamente desertas, são de seixos polidos e coloridos, e não há “banho de areia”!

As ruínas da antiga cidade de Kamiros estavam fechadas, pelo que seguimos para o Castelo de Kritinia. Construído pelos Cavaleiros de São João, para proteção de ataques otomanos, tem vistas absolutamente espetaculares para o mar Egeu e para as vizinhas ilhas de Chalki e Alimia. Entrada livre, mas de verão devem cobrar bilhetes, porque a bilheteira existe. Nesta época do ano, apenas dois gatos bebés faziam as honras da casa.

A estrada junto ao mar terminou, e seguimos para o interior da ilha, para as montanhas. O frio torna-se mais intenso e o vento mais forte. A vegetação passa a ser dominada por pinheiros e vinhas rasteiras. Os veados surgem em zonas de pastagem.

Paragem na aldeia de Siana, para visitar a Igreja Ortodoxa de São Panteleão, um médico cristão do século IV,

considerado santo Curador e padroeiro dos médicos. Uma simpática senhora ofereceu-nos pão doce, um pão tradicional desta época do ano, que se oferece no fim da missa, e levou-nos a uma pequena capela, a original, com frescos muito antigos, e que não está aberta a visitantes. Pensam que existirá desde o século IX.

A próxima paragem foi no Castelo de Monolithos, uma fortaleza, que apesar dos anos e da degradação, ainda guarda a sua espetacularidade e imponência. Construída no topo de uma grande rocha, tem vistas maravilhosas. Antes de ter esta imponência, já tinha sido uma torre de vigia e um castelo bizantino. Os Cavaleiros da Ordem de São João, deram-lhe a configuração que existe ainda hoje. Existe ainda uma pequena capela dedicada a Agios Panteleimon. A subida é íngreme, mas as vistas merecem o esforço.

Depois deste esforço, havia que recuperar energias. Na pequena aldeia de Apolakkia, surgiu a Taverna Amália, e não havia dúvidas que o almoço seria ali. Os donos, já de uma certa idade, mas muito simpáticos, serviram-nos umas costeletas de borrego, de sonho! Verdadeiramente deliciosas, e acompanhadas com uma verdadeira salada grega, foi uma refeição das que levamos na memória. Um pequeno cão, da casa, circulava livremente e queria mimos, que teve. Já não nos largou.

De volta à estrada, o destino do dia, a ponta sul da ilha e a Praia de Prasonisi, onde o Mar Egeu encontra o Mar do Levante. Durante a maré baixa, forma-se um istmo de areia dourada, que conecta a ilha a uma península menor. É um dos melhores locais para desportos aquáticos de vento.

No regresso, paragem numa antiga fábrica de seda, perto de Kattavia, completamente em ruínas. Construída pelos italianos, foi abandonada no final da Segunda Guerra Mundial.

Passagem fugaz por Lindos, onde regressaremos amanhã, à procura de uma farmácia, uma vez que todas as anteriores estavam encerradas. Com tanta festa a gatos, uma alergia ocular, era um pouco incomodativa. Aqui em Lindos também não tivemos sorte. Finalmente em Rhodes, conseguimos descobrir uma.

Rhodes dia 4

Ao contrário de ontem, o dia esteve com um tempo maravilhoso. Céu limpo, vento muito mais fraco e a temperatura mais agradável. Hoje foi dia de explorar a costa este da Ilha, recheada de lindas baías, de areias douradas. Praias completamente desertas, mas que no verão, com a quantidade de hotéis nesta costa, estarão certamente apinhadas.

Parámos na vila de Archangelos, muito simpática, e com uma igreja que merece a visita. O seu chão é feito com seixos da praia, com padrões geométricos, o que lhe dá uma beleza diferente e original.

Mas o objetivo do dia era visitar Lindos, uma pitoresca e tradicional vila, impossível de não visitar. Cheia de charme, com as suas casas brancas, e as escadarias feitas em seixos da praia, fica no sopé de uma colina, onde, no seu topo, se encontra a Acrópole e o Castelo. Esta localidade tem origem na Antiguidade, tendo sido um importante centro da civilização grega clássica. Ao longo dos séculos foi ocupada por romanos, bizantinos e Cavaleiros, cada um deixando marcas arquitetónicas.

À entrada da vila, vindo da St. Paul’s Bay, mas já muito degradado, ainda se consegue visualizar uma parte de um teatro romano. A baía mencionada, é absolutamente fantástica, com águas cristalinas, que já pediam um banho.

Por toda a vila os gatos são uma constante, que nos vão acompanhando, sendo quase os guias da terra, nesta altura do ano, quase deserta. Mas, sendo uma das localidades mais fotogénicas desta viagem, ainda bem que tinha poucos visitantes. Quanto aos gatos, conseguiram terminar com o stock de snacks.

Último jantar em Rhodes, porque amanhã é dia de regressar a casa. Despedida emotiva do staff do restaurante onde costumamos jantar.

Rhodes dia 5

Último dia de viagem, desta road trip por 3 ilhas gregas. Manhã chuvosa, mas que parou à nossa saída do hotel. Paragem no LIDL para comprar cenouras e ração de gato, porque fomos visitar uma quinta dedicada à preservação dos já raros cavalos miniatura de Rhodes, a Faethon Miniature Horses Farm. A par dos cavalos, acolhem também mais de 50 gatos, daí as nossas compras.

Esta quinta é de gestão particular, fica perto de Archangelos, e Stravos, o seu proprietário luta por salvar esta raça autóctone de cavalos, da extinção, apenas com apoios de privados e voluntários. A visita é gratuita e sempre acompanhada pelo dono, e podemos ajudar trazendo alimentação para os animais. Também podemos contribuir com donativos e tomar um belo chá na cafetaria de apoio, cujo lucro reverte para a manutenção da quinta. Um espaço muito interessante.

A chuva volta a cair e a última visita seria à Cruz de Filerimo, perto da vila de Lalyssos. A cruz fica no monte de Filerimos, que sempre foi considerado sagrado desde a Antiguidade. Os Cavaleiros de São João construíram no seu topo o Mosteiro com o mesmo nome. Por todo o recinto se encontram pavões, às centenas, que correm rapidamente para os carros em busca de comida, que pelo que nos apercebemos, é um hábito local.

A cruz tem uma vista fabulosa, e o céu carregado, com o sol a romper em pequenos raios, deu à visita um aspeto misterioso, espiritual, quiçá fantasmagórico! Uma grande despedida para nós.

Esta road trip foi uma viagem muito interessante, numa época muito tranquila para viajar, evitando a confusão do verão, que, tirará muita da beleza aos locais que tivemos o privilégio de visitar, sem confusão alguma. É uma altura muito interessante para se conhecer a beleza destas ilhas e toda a sua rica e muito interessante história. Os preços são também muito mais económicos, em tudo! Recomendamos vivamente esta viagem!

 

  • Diário de Odivelas - Redação

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