
Pensávamos nós que este dia seria bem tranquilo, mas não vai ser. Descobrimos mais uns pontos de interesse, que não queremos deixar de visitar e conhecer, e afinal o tempo ainda vai acabar por ser curto.

Finalmente compreendemos porque viajávamos sem gastar dinheiro e em algumas ocasiões, até nos devolviam saldo no cartão dos transportes. Os títulos de transporte recarregáveis têm uma particularidade: cada viagem custa 2 QAR, mas diariamente só pagamos 3 no máximo. Todas as restantes, o dinheiro é retirado à entrada do transporte e devolvido à saída.

O dia começou com um valente salto da cama. De repente, o estridente alarme de incêndios disparou por todo o hotel. Mas calma… era apenas uma inspeção da Proteção Civil, para a qual já estávamos avisados. Não imaginámos é que seria tão cedo.
Aproveitei para pedir ajuda a um dos informáticos do hotel, para conseguir fazer o início de sessão do wi-fi no meu tablet, que não estava a obter, por ser necessário entrar numa rede do hotel. Com os telefones é pacífico, com os portáteis torna-se complicado. Muito prestáveis na resolução do problema, de solução muito fácil.

Voltámos a repetir o pequeno-almoço de falafel, num pequeno espaço, e o pão feito ao momento é na realidade delicioso. Quase de certeza que amanhã repetiremos a dose. Hoje, a acompanhar esta refeição deliciosa, na nossa esplanada improvisada, no degrau do estabelecimento, dois jovens gatinhos decidiram fazer-nos companhia, num ronrom delicioso.

A primeira visita do dia foi à Biblioteca Nacional do Qatar. Edifício novo e moderno, incorporado num Campus Universitário. A biblioteca está muito bem estruturada. Grande parte das operações estão automatizadas, o que facilita em muito, o acesso a quem necessita dos serviços da biblioteca, nomeadamente para pesquisas de títulos, recolha e entrega de livros. O espaço estava com uma ocupação enorme, certamente de estudantes, num espaço muito agradável para estudar ou apenas disfrutar de um espaço muito relaxante para leitura. A biblioteca tem um projeto muito interessante, chamado de “Blind Date com um livro”. Numa enorme cesta, existem vários embrulhos, sendo que cada um deles contem um livro. Cada leitor pode requisitar um embrulho, sair sem abrir, e só abrir quando chegar a casa, para ser um verdadeiro “Encontro às Cegas”. Uma ideia simples, mas genial para promover a leitura.

Bem perto, a mesquita Cidade Educativa, com uma construção moderna e elegante, com 2 gigantescos minaretes, totalmente estilizados. Pode-se visitar, sem nenhuma complicação, e a Ana nem precisava de tapar a cabeça. Por dentro é muito minimalista e muito tranquila. Como em muitas que já visitámos, crianças brincam no seu interior.
No Campus, circula um elétrico gratuito, que utilizámos para encurtar a viagem até à estação do Metro. O próximo destino será o restaurante Museu, onde almoçámos ontem. Gostámos tanto que decidimos repetir, e na realidade não saímos defraudados com esta repetição. A comida estava deliciosa, com destaque para o “nam” de alho, que estava simplesmente divinal.
Depois desta maravilhosa refeição e de retemperar forças, seguimos para o Centro Comercial Villaggio, mais uma “obra das arábias”. Todas as lojas têm a arquitetura de pequenas casas, o teto dá a sensação de estarmos na rua, e o Centro, no seu interior, é atravessado por um canal, onde gondolas e gondoleiros, transportam felizes passageiros. Alberga também uma pista de gelo enorme e um gigante centro de diversões, para crianças e adultos. Lojas de marcas que nunca tínhamos ouvido sequer falar, e todas sempre muito caras.

Mesmo ao lado, já tudo pronto para os possíveis Jogos Olímpicos de Doha, em 2036. Sim, não é gralha. É mesmo 2036! O país candidatou-se e pelos vistos já fez tudo, mesmo sem haver ainda decisão. Estádio Olímpico, complexo de piscinas, hipódromo, um pavilhão, entre muitas outras infraestruturas. Até um hotel, em forma de tocha olímpica já foi construído, e o seu topo, parece estar já preparado para receber a Chama Olímpica. Uma loucura!

Perto de tudo isto, um parque com um lindo lago, fazem as delícias dos locais, que aproveitam o espaço para piqueniques de final de dia, que os árabes tanto adoram. Famílias inteiras acampam nos relvados, nunca faltando a cafeteira de café. Os miúdos jogam à bola, andam de trotinete, de bicicleta, de gaivota no lago, enfim, fazem coisas de crianças, o que já se vê pouco na europa. Ainda hoje refletimos sobre este assunto, e na realidade, não temos visto por aqui crianças com tablets ou telemóveis, mas sim, apenas a brincar. Por exemplo a biblioteca que visitámos esta manhã, estava com muitas crianças, muito focadas nos livros que liam. Um caso interessante de analisar.
Ainda tínhamos no programa de hoje, a visita ao Centro Comercial Al Hazm, este sim, a verdadeira “obra faraónica das arábias”. Para além da sua dimensão absurda, é todo construído em mármore! Até os WC’s! A entrada é a de um autêntico palácio! Logo ao início, um magnífico stand da McClaren. Aqui não se vendem “papa reformas”! Ainda pensei em entrar, mas um simples chapéu custava 120€. Achei que iria ter dificuldades em comprar algo até 10€, pelo que deixei para uma próxima oportunidade. As lojas são de uma opulência brutal. Uma pianista, ambienta o som de todo o complexo. Para além da McClaren e de um bar exclusivo a proprietários da marca, um alfaiate exclusivíssimo do Kuwait, restaurantes de chefs internacionais, marcas de luxo e marcas de superluxo, num desfile de elegância, luxo e opulência, tudo no mesmo local.
Decidimos regressar a algo mais simples, e que não tínhamos descoberto, as famosas Doha Lights, que o motorista de Uber do dia anterior nos “vendeu” como sendo as dos barcos. Finalmente descobrimos, mas… só estão totalmente iluminadas em dias festivos, o que não era o caso. Apenas uns túneis de flores e trepadeiras têm alguma iluminação.

Última parte do dia reservada, para aquilo que nos dá mais prazer. Perdermo-nos nos souqs, neste caso o Souq Waqif, que certamente já entrou em vossas casas muitas vezes, aquando do Mundial de Futebol de 2022. Todos se lembram certamente do dedo dourado, que aparecia em todas as reportagens do Nuno Luz. E estando num local tradicional, rodeado de pessoas locais, teríamos de provar iguarias locais e tradicionais. A escolha recaiu num prato de farinha com frango e num outro que teria batatas, frango e umas tiras que nos pareceram de pão. Os nomes, não sabemos muito bem quais eram. Mas apesar do aspeto não ser convidativo, os dois pratos estavam muito bons e não sobrou nada.

Amanhã de manhã vamos tentar ver a passagem da guarda do castelo em camelo, e, a seguir ao almoço, aeroporto, que amanhã há mudança de país. Para não perdermos muito tempo, já descobrimos aqui bem perto uma tasca local, e até já fizemos a escolha e encomenda para o almoço. Para um dia que esperávamos calmo, o conta quilómetros das pernas marcou 18 quilómetros.








