CEO inaugura hoje a exposição “Vítor Fortes, o Pintor da Solidão”







Esta sexta-feira, 29 de maio, a Câmara Municipal de Odivelas presta homenagem ao Pintor Vítor Fortes, com um programa que enaltece uma das figuras relevantes da arte portuguesa do final do século XX, cuja vida ficou marcada pelo contraste entre o sucesso internacional e o isolamento voluntário e enigmático.

Às 18h00 terá início no Centro de Exposições de Odivelas o Colóquio “Solidão” que terá como oradores: D. Rui Valério, Patriarca de Lisboa – “A solidão desejada”;

Arlete Alves da Silva, Diretora da Galeria 111 – “A beleza da solidão”;

Ricardo Ferreira, Vice-Presidente da Comunidade Vida e Paz – “A solidão não desejada”. A moderação será da jornalista Rosa Pedroso Lima.

Às 19h00 será inaugurada neste equipamento municipal a exposição “Vítor Fortes, o Pintor da Solidão” que estará patente até 08 de novembro.

O evento contará também com um apontamento musical a cargo do Conservatório de Música D. Dinis.

Vítor Fortes — Biografia

Vítor Fortes (Funchal, 11 de junho de 1943 – Póvoa de Santo Adrião, fevereiro de 2025) foi um dos criadores mais singulares da arte portuguesa da segunda metade do século XX, conhecido como “o pintor da solidão”. A sua vida e obra formam um percurso de grande intensidade intelectual, marcado por reconhecimento nacional e internacional, mas também por um enigmático afastamento do mundo artístico nas últimas décadas da sua vida.

Fortes iniciou o seu percurso profissional como escriturário no Metropolitano de Lisboa, antes de se dedicar plenamente às artes. Entre 1969 e 1971 foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, estudando na prestigiada Slade School of Fine Art, em Londres, e mais tarde em Paris, também com apoio da Gulbenkian.

A partir dos anos 1970, afirmou-se como um artista de grande rigor conceptual e forte componente gráfica, transitando da gravura para a pintura em 1972. Expôs em Lisboa, Porto e Paris, e participou em diversas mostras internacionais, incluindo no Japão, Brasil, Londres, Barcelona e Nova Iorque.

A crítica especializada destacou frequentemente o seu trabalho, com textos de João Miguel Fernandes Jorge, Egídio Alves e Sousa Neves. Recebeu prémios relevantes, como o Prémio Internacional de Gravura da X Bienal de São Paulo, a Palette d’Or do Festival Internacional de Pintura de Canes e o galardão Ville de Liège, atribuído em 1969.

Apesar do reconhecimento, Fortes tomou uma decisão radical: desapareceu da vida pública artística no início dos anos 1980, cortando contacto com galeristas, colegas e amigos. A última devolução de obras à Galeria 111 data de 16 de novembro de 1983.

Nos últimos anos, viveu de forma extremamente reservada. Foi encontrado sem vida no seu apartamento, em fevereiro de 2025. Antes de morrer, deixou um pedido singular: que todo o seu espólio fosse entregue à Cáritas Diocesana de Lisboa, que hoje guarda e preserva a sua obra — um legado que continua a ser resgatado e estudado como parte essencial da arte portuguesa contemporânea.

Fonte de pesquisa:  site Cáritas Diocesana

Imagem gerada pela IA Copilot da Microsoft

  • Diário de Odivelas - Redação

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