
Hoje o dia começaria por explorar a zona de Salmiya. É bastante urbanizada, com uma vibe muito cosmopolita. Centros Comerciais, ruas comerciais e restaurantes de cozinha internacional, é uma das zonas preferidas pelos expatriados para viver. Fica junto ao Golfo Pérsico, com lindas vistas de mar e uma corniche muito agradável.

Depois de um percurso de autocarro até Salmiya, a primeira visita foi ao Kuwait Palace Hotel, um hotel que se destaca pela sua arquitetura oriental inspirada em casas tradicionais kuwaitianas, utilizando arcos de madeira e vidros coloridos. Merece a visita, pela beleza do seu interior.

A caminho do “Scientific Center of Kuwait”, um gigante punho cerrado, simboliza a força e o poder do país, unidade e determinação, na resistência e recuperação do Kuwait. O dourado da sua cor, representa riqueza e prosperidade.

No Centro Científico, visitámos o maior aquário do país, com peixes do Golfo Pérsico, muitos tubarões, tartarugas e raias. Um interessante túnel “mergulha-nos no oceano, e dá-nos a sensação de estarmos submersos, observando toda a vida marinha que nos envolve. O que adorámos mesmo, foi ver o gato-das-areias, tratando da sua recente ninhada. Um espetáculo! E os gatos são lindos! Muito raros de ver na natureza, vivem em desertos do Médio Oriente e Norte de África. Têm uma pelagem que lhes dá uma camuflagem perfeita para as areias do deserto. Passam o dia escondidos, caçando de noite.

A manhã estava excelente, e voltámos à corniche. O mar estava com um verde-turquesa absolutamente maravilhoso! Os desportistas, aproveitam o bom tempo, para jogging ou bicicleta. Nós continuámos na caminhada. Passámos pela Marina Beach, uma praia de areias douradas e com muitas palmeiras, criando um cenário muito tentador para um mergulho. Mas estamos no “inverno” e as praias não são frequentadas, apesar dos 25 graus que se faziam sentir.

Entretanto procurámos a paragem do próximo autocarro, que nos iria levar a outra parte da cidade. Bem perto da paragem, ainda fomos ver a Mesquita Badriya Nasser Al-Jeyan, também conhecida como Mesquita Dourada, por causa da sua aparência exterior, com detalhes em tons dourados, especialmente na cúpula e nos minaretes. Quando apanha luz solar direta, fica com um brilho muito característico. Não conseguimos visitar o seu interior, por estar encerrada.

O próximo destino seria a zona da cidade chamada de Sharq, onde se encontra a Al Hamra Tower. É o edifício mais alto do país, com 414 metros de altura e um ícone da modernidade e da arquitetura contemporânea do Kuwait. Tem um design único de elegância, numa estrutura de forma irregular e retorcida. Foi pensada para reduzir a exposição ao sol. A sua fachada de pedra calcária é simplesmente impressionante, refletindo a luz do sol em tons muito suaves.

De novo no autocarro para visitar as icónicas Kuwait Towers, um dos símbolos mais famosos da capital e do país. São 3 torres construídas junto ao mar, construídas em 1969, com um design muito característico em forma de esferas sobre pilares finos. Poucos saberão, mas a torre mais alta é um reservatório de água, sendo que as restantes duas estão também ligadas ao sistema de água. Hoje são um marco turístico e visitáveis. Uma delas tem uma plataforma de observação, com vistas magníficas para a cidade e para o mar. As esferas são decoradas com mosaicos de cerâmica vidrada, em vários tons de azul, que representam o mar do Golfo Pérsico, e é isso que lhes confere o seu visual tão característico. Foram um dos primeiros grandes símbolos arquitetónicos do país, após o boom do petróleo. A Corniche junto às torres é também muito agradável, com cais de madeira que entram profundamente pelo mar. Um bom local para fotografar o sol, que se escondia atrás dos grandes edifícios da cidade, antes de adormecer completamente.

Último autocarro do dia, até ao Souk Al-Mubarakiya, um dos mercados mais antigos e tradicionais do Kuwait, um daqueles locais onde nos dá prazer estar e observar toda a dinâmica e cumplicidade que existe.
No meio de toda a modernidade, este souk é um verdadeiro regresso ao passado. Ao entrar, o som do trânsito desaparece, e surgem as misturas de vozes, aromas e cores, que contam histórias antigas. As ruas estreitas do mercado enchem-se de bancas de especiarias que exalam aromas intensos a incenso. Ali tudo se vende, desde joias, roupa, perfumes tradicionais e comida com aspeto delicioso.

Na zona do mercado de frescos, os vendedores vão chamando os clientes com simpatia, para as suas bancas de frutas, que mais parecem obras de arte, dado o cuidado com que se expõe o produto. As bancas de azeitonas são simplesmente apetecíveis e nas bancas de tâmaras, existem milhares, de várias cores e tamanhos, todas com aspeto delicioso. Bandeiras da Arábia Saudita começam a ser expostas nalgumas lojas. Serão as próximas boas vendas, para o jogo de futebol que se aproxima.

Aqui, todos os recantos parecem contar uma história ou guardar uma memória. A tradição ainda respira no meio da cidade moderna.
Os bombeiros vão passando o tempo à entrada, junto às suas motos de intervenção rápida, equipadas com extintores. Já vários incêndios assolaram o souk, e as intervenções rápidas são essenciais para evitar danos maiores, num local com uma estrutura antiga e muito densa.

Não queríamos acabar a noite sem voltar ao café onde estivemos ontem, e onde se jogavam “damas”. Fomos excelentemente bem recebidos, com a tradicional hospitalidade árabe, a que já nos fomos habituando e que muito valorizamos. Um grupo de homens, já com alguma idade, na esplanada, conversava animadamente e de imediato nos convidaram a sentar, beber um chá e comer tâmaras. E ali nos juntámos a eles, numa conversa muito agradável. Um excelente final de noite e uma despedida fantástica de um país que efetivamente nos surpreendeu. Amanhã é dia de regressar à Arábia Saudita.








