Diário de Bordo | Qatar dia 4, e Kuwait dia 1







Dia de mudança de país. Com pena, deixamos o Qatar, que foi, para nós, uma excelente surpresa. Mas, com muita expetativa, vamos visitar o Kuwait, país sobre o qual não descobrimos muita informação de anteriores viajantes, o que torna a viagem muito mais interessante, sendo que viemos completamente “às escuras”, o que nos permite construir as nossas expetativas passo a passo, rua a rua, encontro a encontro.

Ainda aproveitámos a manhã em Doha, para mais uma visita ao Souq Waqif, num ambiente completamente diferente do que temos  encontrado, ou seja, quase com ninguém, porque hoje, sexta feira, é o dia de descanso. Mas, é nestas alturas que os melhores “bonecos” fotográficos acontecem, e esta não foi exceção. Quanto à aguardada render da guarda a camelo, não conseguimos perceber se se iria realizar ou não.

Sendo sexta-feira, o metro só abre às 14H00, pelo que a alternativa para ir para o aeroporto foi via UBER. Check-in tranquilo, e aproveitámos para trocar o dinheiro que sobrou para Dinares kuwaitianos. O voo saiu a horas e 01H15 depois, touchdown Kuwait.

Este país é infelizmente conhecido, por um acontecimento dramático e que muitos de nós acompanharam, que foi a sua invasão em 1990, pelos iraquianos, liderados na altura por Saddam Hussein, desencadeando a chamada Guerra do Golfo. Foi libertado em 1991 por uma coligação internacional, sendo que a retirada das tropas iraquianas deixa um rasto de destruição, incluindo incêndios massivos nos poços de petróleo.

A cidade de Kuwait City, é muito mais “humilde” que Doha, mas igualmente interessante, pelo que conseguimos ver ainda do ar. A entrada no país foi “à barão” como se costuma dizer. Quem tem amigos tem tudo, e eu tenho a sorte de ter muitos e bons. Agradecimento muito, mas muito especial, ao José Carlos Coelho, mais um Pupilo do Exército, que teve a amabilidade de nos proporcionar uma chegada assistida ao país, através da empresa para a qual trabalha, o que facilitou bastante o processo de entrada, sendo que não tínhamos visto prévio e teríamos de o fazer à chegada. Tudo muito rápido e tranquilo, e a senhora que nos tratou do processo, sempre muito prestável e profissional. Fica desde já combinada a jantarada, para quando estivermos os dois em Portugal.

Aquisição de Sim card local, essencial em qualquer sítio onde estejamos, e surgiu a primeira questão: como ir do aeroporto para o hotel? Metro não existe na cidade. Uber não existe no país, e a companhia local semelhante à Uber, não tem autorização para ir ao aeroporto. Assim sendo, restava-nos táxi ou autocarro.

Numa pesquisa rápida no google, tínhamos autocarro direto, o 13, que pararia a 30 metros do nosso hotel. Opção escolhida e nem tempo de espera tivemos, porque assim que chegámos à paragem o 13 apareceu. O pagamento nos autocarros é feito apenas em dinheiro, pelo que temos de ter algum valor connosco. O valor do bilhete pelo que nos apercebemos é fixo, e custa ¼ de Dinar por passageiro, o que dá algo como 80 cêntimos de euro. De uma viagem prevista de 1 hora, com 30 paragens, apanhámos um motorista com ar algo “amalucado”, que fez a viagem direta até ao nosso destino, sem nenhuma paragem, e sempre “a abrir”. Trinta minutos, 1,60€ e acabámos por ter um transfer privado!

Alojamento no Panorama Hotel Kuwait, link, no 12º andar com uma vista magnífica.

O nosso hotel fica perto de alguns Souks, e saímos de imediato para visitar um deles, o Al Mbarakiya, um dos mercados mais antigos do Kuwait.

De repente, nas ruas, toda a gente ficou louca, sentada nas portas dos carros, o trânsito tornou-se caótico e barulhento, e centenas de bandeiras do país eram empunhadas e abanadas freneticamente. Conseguimos perceber que a seleção de futebol tinha jogado com o Qatar e empatado 1-1, ficando assim apurada para a fase seguinte da Taça do Golfo, uma competição pelos vistos muito importante aqui. Uma loucura que durou várias horas e entupiu esta zona da cidade de carros e pessoas.

O souk Al Mbarakiya onde fomos, estava impossível de circular, com milhares de pessoas a festejar e optámos por um outro, mais afastado do centro e muito mais tradicional, onde acabámos por jantar, num restaurante de naturais do Banglasdesh.

Muito espantados com a nossa presença, pareciam que estavam a ver “aliens” ou algo semelhante. Devemos ter sido os primeiros ocidentais a entrar ali. A comunicação em inglês foi muito complicada. Percebemos que havia carne e arroz, e seja, está escolhido! Estava simplesmente delicioso! O resto da clientela não tirava os olhos de nós, e um dos empregados nem saia de perto da nossa mesa, sempre a ajeitar o copo do chá ou o prato do pão.  Mas clientes e empregados sempre muito sorridentes, e isso para nós é simples e delicioso. O empregado que nos atendeu, mostrava muita preocupação em saber se queríamos mais carne, mais arroz, mais pão, e sempre, mas sempre, com um sorriso rasgado e sincero no rosto, que nos encantou. Só vos digo que foi uma maravilha de refeição!

A noite terminou no lobby do hotel, a beber um excelente café árabe, acompanhado de umas tâmaras que se derretiam literalmente na boca, de tão deliciosas que eram. Amanhã será tempo de explorar a cidade, num ambiente totalmente desconhecido, sem dicas nem histórias anteriores, pelo que será desbravar terreno a sério.

  • Diário de Odivelas - Redação

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